7 passos para um bom ensaio filosófico

 


Por Bryan W. Roberts

Tradução Jordan Bruno Oliveira Ferreira

 

Disponível em < https://personal.lse.ac.uk/robert49/teaching/Guide.pdf >

 

1 Comece sua análise

 

Filosofia é viciante, divertida e profunda. Dá vazão a quantidades enormes de tempo gasto pensando e anotando ideias. Isto será importante também para poupar tempo e stress quando chegar o momento de escrever o ensaio.

 

Passo 1: Coloque a questão de forma precisa e pense a respeito. Depois, repita o passo.

 

Se uma questão foi coloca para você responder, anote-a. Explique a questão a um colega. Encontre meios equivalentes de fazer a questão. Quais são as possíveis respostas? Como posso justificar diferentes respostas? Lembre-se de que para fazer a tarefa de modo correto, você deve responder a questão que foi proposta. Se você foi não questionado, tente você mesmo elaborar uma questão. Isto lhe ajudará a manter-se focado.

 

Passo 2: Leia (e releia) as referências bibliográficas relevantes com sua questão em mente.

 

Suas leituras habituais do curso de filosofia podem ser relevantes para a questão, então pense sobre ela enquanto lê e relê seus textos. Sumarize os argumentos desses autores para si mesmo, e tome notas de seus pontos fortes e fracos. Talvez seja útil rever suas anotações. Mesmo que você elabore seus próprios argumentos, pode ser útil para responder a questão discutir os argumentos de outros autores.

 

Pode ser o caso de buscar outras fontes, desde que sejam “acadêmicas”. Mecanismos como o Google Scholar é uma boa fonte. Também pode ser útil consultar fontes como plano de cursos e referências bibliográficas complementares.

 

Passo 3: Anote e revise suas premissas 1 e 2 do argumento.

 

Anote em um caderno a sua argumentação (na forma de uma tese): isto, e somente isto, é o que você irá tratar ao longo do ensaio. Ainda não é algo definitivo; você irá revisar estes argumentos ao longo do texto. Mas deve sempre manter-se atento ao que está tentando argumentar. Isto deve ser algo dotado de precisão, clareza e não mais que duas ou três sentenças. Sua tese deve ser conter duas partes, além de uma afirmação e de uma negação. Mas elas devem ser curtas.

 

Aqui vai um rápido exemplo:

 

Irei argumentar que a visão histórica de Lauden não justifica sua rejeição do realismo científico, mas uma pequena modificação de sua visão pode.

 

Passo 4: organize o suporte de sua tese na forma de argumento.

 

Esta é a parte mais importante do processo – ela demanda muito tempo! Sua tese deve ser acompanhada de um argumento geral (mas fechado). Se você não consegue apresentar um argumento deste tipo, retorne e comece tudo de novo.

Você pode começar matutando acerca das alegações que podem justificar sua tese. Daí, tente escrever um argumento válido em sua forma. Por exemplo, aqui temos uma forma premissa-conclusão para um argumento sugerido por Sócrates. Ele trata da tese “o sagrado nada tem a ver com Deus”.

 

Premissa 1. Sagrado não tem nada a ver com Deus, a não ser que (1) as coisas sejam             sagradas por que deus as ama, ou (2) deus ama coisas porque elas são sagradas.

Premissa 2. É falso que as coisas são sagradas porque são amadas por deus.

Premissa 3. É falso que deus ama as coisas porque elas são sagradas.

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Conclusão. Logo, sagrado não tem nada a ver com deus.

 

Se você formulou seu argumento corretamente, a premissa vai necessariamente implicar na conclusão. Sua última tarefa é a partir daí apresentar o máximo de suporte possível para cada premissa. Se certifique de anotar a melhor fundamentação para cada uma das premissas. Agora, você está preparado para começar a escrever.

 

2. Coloque no papel

 

Escrever um argumento filosófico requer cuidado e precisão, mas é recompensador quando é feito de modo correto. Você pode esquecer a maior parte das coisas que se pode aprender em aulas de escrita criativa. O objetivo de um ensaio filosófico deve ser apresentar o argumento que fundamenta sua tese de modo claro e convincente. Nada mais, nada menos.

 

Passo 5: rascunhe uma versão do seu ensaio que inclua uma introdução, um corpo central, e uma conclusão como as partes primárias.

 

A introdução deve conter uma breve discussão do tema e da questão, uma afirmação acerca de sua tese e alguns comentários sobre como você vai argumentar a favor de tal tese. O corpo central do ensaio contém uma descrição de informações relevantes sobre o tema, juntamente com o argumento para sua tese. A conclusão deve conter uma reiteração de sua tese e (opcional) algum breve comentário que deixa em aberto a retomada do tema, de modo que a questão possa continuar sendo discutida no futuro. Do ponto de vista formal, seu texto deve conter comentários de autores relevantes (citações) que você cita – estas citações devem ter o caráter de uma reação ao que eles dizem. Este rascunho vai ajudá-lo a escrever de modo mais eficiente.

 

Passo 6: escreva o corpo do texto, depois a introdução, e depois a conclusão.

 

Comece seu texto pelo corpo central, porque esta é a parte mais relevante do ensaio e a mais difícil. Você deve deixar claro quais são as premissas de suas conclusões, e como elas implicam na sua tese. Gaste um bom tempo explicando os fundamentos de cada premissa. Então, quando chegar o momento de escrever sua introdução e a conclusão, estará apto a sumarizar seus argumentos de forma mais precisa. Siga o rascunho do seu ensaio e o rascunho do seu argumento durante este processo. E não se esqueça de incluir uma seção para as referências do texto e citar cada referência que não tem um caráter de trivialidade.

Passo 7: Deixe o artigo de lado por um ou dois dias, então faça uma revisão final.

 

Esta é a diferença entre bons ensaios e excelentes ensaios. Se você se der tempo para digerir o que escreveu e ler o que escreveu sem preconceitos, será capaz de quase sempre encontrar meios de melhorar seu trabalho.

 

3 Top 10 dicas para escrita de ensaio filosófico

 

Essas dicas são baseadas em erros típicos. Apenas verificando que você incorporou cada uma delas em seu trabalho cotidiano, ficará encaminhado para a escrita de um bom trabalho de filosofia.

 

Dica 1 Comece antes!

 

Às vezes você pode esperar até o último minuto e ainda assim fazer um bom trabalho. Mas isto é raramente o caso em filosofia. Filosofia requer tempo para reflexão.

 

Dica 2 Faça fichamento.

 

Anote o que você acha que será relevante no seu material acadêmico, anotando suas ideias a medida que elas vem a tona. Tenha essas anotações para quando for o momento da escrita do rascunho.

 

Dica 3 Foque na questão, foque na resposta.

 

Tudo que anota deve ser em função da questão. Sua é sua resposta para sua questão. Seu argumento suporta a tese. Quase todo o resto é irrelevante.

 

Dica 4 Parta do princípio de que seu leitor não sabe nada sobre o assunto.

 

Você pode pensar que seus professores, tendo lido muita filosofia, irão imediatamente perceber suas ideias e argumentos. Eles não são tão inteligentes assim. Escreva seu ensaio como se estivesse explicando seus argumentos para um completo tapado. Explique cada ideia do seu texto da forma mais ampla possível.

 

Dica 5 Não tente dar conta de tudo.

 

Um ótimo ensaio filosófico irá estabelecer algo simples e honesto, então argumente bem em torno disso. Não tente resolver grandes questões filosóficas em cinco páginas!

 

Dica 6 Repita, ao longo do texto, o que você está tentando apresentar.

 

Mantenha o leitor informado acerca do que você está tentando argumentar. O propósito de todo parágrafo deve ser irritantemente óbvio para o leitor. Por exemplo, você pode afirmar que:

 

- Meu argumento segue a seguinte forma: primeiro,

 

- Eu irei argumentar a favor da tese com base nos seguintes pontos:

 

- Tendo argumentado por estas duas premissas, agora mostrarei que minha última premissa é verdadeira.

 

- Um bom exemplo deste tipo de situação é...

 

- Uma resposta a essas objeções é...

 

- Como resultado do argumento acima, conclui-se que...

 

Dica 7 Utilize uma linguagem extremamente simples e concisa.

 

Não utilize linguagem rebuscada e maçante a não ser que seja absolutamente necessário. Não utilize gírias; no entanto, suas sentenças devem ser curtas e de fácil leitura. Você pode se referir a si mesmo utilizando “Eu” em um ensaio filosófico, especialmente se for o caso de explicar onde você se localiza na argumentação.

 

Dica 8 Não afirme nada que não possa justificar.

 

Toda sentença que você escreve e que não é absolutamente óbvia, deve ser justificada; não basta apenas dizer “Eu acredito que X”. Você deve convencer o leitor, apresentando argumentos, alternativas, exemplos, citações, fontes, etc. Evite sentenças do tipo “Desde o início dos tempos...”, já que é pouco provável justificar esse tipo de afirmação.

 

Dica 9 Use apenas referências acadêmicas.    

 

Termos utilizados em uma aula de filosofia podem ser muito técnicos ou herméticos, além de muitas vezes possuírem sentidos diferentes dos apresentados em dicionários. Atenha-se a linguagem acadêmica, e em caso de dúvidas consulte seus professores quando não estiver certo no caso de algumas palavras. A Wikipédia é um bom começo para aprender acerca de alguma coisa, mas não é uma referência segura para ensaios filosóficos.

 

Dica 10 Sempre cite suas fontes, mas cite e parafraseie separadamente.

 

Algumas citações em um ensaio de cinco páginas são aceitáveis, mas para além disso, tente parafrasear. Mas não esqueça, você deve referenciar cada ideia ou palavra que não é de sua própria autoria.

       

 

 


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